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Emoções

Vocabulário emocional: ajudar a criança a dar nome ao que sente

Feliz, triste e bravo são só o começo. Veja como ampliar as palavras para as emoções e por que nomear o que sente ajuda a criança a se acalmar e a pedir ajuda.

Por Jéssica Carla, psicóloga infantil e escritora (CRP 04/63602) · Publicado em 29/10/2026

Quando a criança diz "tô chata" ou simplesmente explode, muitas vezes falta uma palavra para o que está acontecendo por dentro. Dar nome às emoções é um dos primeiros passos para lidar com elas: o que tem nome fica mais fácil de entender, de contar para alguém e de pensar no que fazer.

Por que nomear ajuda

  • Organiza a experiência: "Estou com raiva porque o jogo acabou" é mais fácil de atravessar do que um mal-estar sem nome.
  • Abre espaço para pedir ajuda: a criança consegue dizer "estou com medo" em vez de se recusar a entrar.
  • Diferencia emoções parecidas: chateado, frustrado, decepcionado e com ciúme pedem respostas diferentes.
  • Mostra que toda emoção pode existir: o que precisa de limite é o comportamento, não o sentimento.

Além de feliz e triste

Comece pelas emoções básicas e, aos poucos, apresente palavras novas ligadas a situações reais:

  • Família da alegria: animado, orgulhoso, aliviado, tranquilo, grato.
  • Família da tristeza: desanimado, decepcionado, com saudade, sozinho.
  • Família da raiva: irritado, frustrado, injustiçado, impaciente.
  • Família do medo: preocupado, nervoso, inseguro, assustado, envergonhado.

Não é preciso ensinar tudo de uma vez. Uma palavra nova por semana, usada muitas vezes, vale mais do que uma lista decorada.

Brincadeiras para o dia a dia

  • Espelho das caras: um faz uma expressão e o outro tenta adivinhar a emoção. Depois, troquem.
  • Como ele está se sentindo? Em livros, desenhos e filmes, pause e pergunte o que o personagem sente e quais pistas mostram isso.
  • Onde mora no corpo? Pergunte onde a criança sente o medo, a raiva ou a alegria: na barriga, nas mãos, no peito.
  • Diário das emoções: no fim do dia, cada pessoa da casa conta uma emoção que sentiu e o que aconteceu.

O adulto como modelo

Crianças aprendem muito ouvindo os adultos falarem das próprias emoções: "Fiquei frustrada porque o trânsito estava parado. Respirei e coloquei uma música." Ao nomear o que a criança parece sentir, use um tom de hipótese: "Parece que você ficou decepcionado porque a chuva cancelou o passeio. É isso?" Assim ela pode concordar ou corrigir.

Como o Clube do Tico pode apoiar essa conversa

Use as palavras que aparecem nas atividades em conversas do dia a dia, para que elas saiam da tela e entrem na rotina.

Este guia traz orientações gerais para famílias e profissionais. Ele não substitui uma avaliação: se a dificuldade for frequente, intensa ou estiver atrapalhando a rotina da criança, procure um profissional.

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