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Emoções

Quando a criança explode de raiva: antes, durante e depois

Na hora da explosão, a prioridade é segurança. A conversa e o aprendizado vêm depois, num momento calmo. Veja o que fazer em cada fase.

Por Jéssica Carla, psicóloga infantil e escritora (CRP 04/63602) · Publicado em 29/10/2026

A torre caiu, o jogo acabou, a resposta foi "hoje não". E, de repente, vem o grito, o choro, o brinquedo voando. A raiva é uma emoção normal e até útil: ela avisa que algo parece injusto ou que um desejo foi frustrado. O que a criança ainda está aprendendo é o que fazer com ela. E esse aprendizado acontece em três momentos diferentes.

Durante: segurança primeiro

No auge da raiva, explicações longas não chegam. A criança está tomada pela emoção e precisa, antes de tudo, de um adulto calmo por perto.

  • Garanta a segurança: afaste objetos que podem machucar e proteja quem estiver por perto.
  • Fale pouco, com voz baixa e frases curtas: "Estou aqui. Você está com muita raiva."
  • Não negocie e não dê lição nesse momento. O combinado e a conversa ficam para depois.
  • Respire devagar junto. Às vezes, a calma do adulto é o que a criança consegue copiar.

Depois: conversar quando a calma voltar

Passada a tempestade, escolha um momento tranquilo, que pode ser horas depois. Relembre o que aconteceu sem acusar: "Lembra quando a torre caiu? Você ficou muito bravo." Pergunte como ela sentiu a raiva no corpo e o que poderia ajudar da próxima vez. Uma escala simples, de 1 a 4 ou com um vulcão desenhado, ajuda a criança a mostrar o tamanho da raiva, que é mais fácil do que explicar com palavras.

Histórias também ajudam. Falar do personagem é mais fácil do que falar de si mesmo: "O que o Tico poderia fazer quando a fila do escorregador demora?"

Antes: preparar o terreno

Algumas situações são previsíveis: perder no jogo, esperar a vez, parar uma brincadeira boa. Antecipe com a criança. "Daqui a pouco o jogo acaba. Se você perder, o que pode fazer?" Combinar um plano B antes da frustração costuma dar mais resultado do que tentar ensinar no meio dela.

Frases que costumam ajudar (e as que atrapalham)

  • Ajudam: "Você ficou com raiva porque queria muito." "Pode ficar bravo, mas não pode bater." "Vamos pensar juntos no que fazer agora."
  • Atrapalham: "Para com isso, é bobagem." "Menino grande não chora." "Se continuar, vai ficar sem nada."

Materiais e atividades com o Tico

Se as explosões são muito frequentes, intensas, colocam a criança ou outras pessoas em risco ou estão atrapalhando a escola e a convivência, procure um psicólogo infantil para uma avaliação.

Para imprimir

Material com o Tico em PDF sobre este tema, com páginas de exemplo:

Este guia traz orientações gerais para famílias e profissionais. Ele não substitui uma avaliação: se a dificuldade for frequente, intensa ou estiver atrapalhando a rotina da criança, procure um profissional.

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