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Habilidades sociais

Quando a criança tem dificuldade para fazer amigos

Chegar perto, pedir para brincar, esperar a vez e fazer as pazes também se aprendem. Veja como ajudar a criança a treinar essas habilidades com calma.

Por Jéssica Carla, psicóloga infantil e escritora (CRP 04/63602) · Publicado em 29/10/2026

"Ninguém quis brincar comigo." Poucas frases doem tanto em quem cuida de uma criança. Fazer amigos parece natural, mas envolve muitas habilidades ao mesmo tempo: chegar perto, perceber o que os outros estão fazendo, pedir para entrar, esperar a vez, aceitar ideias diferentes e fazer as pazes depois de uma briga. Tudo isso se aprende, e se aprende melhor com apoio.

O que pode estar por trás

  • Timidez: a vontade existe, mas o primeiro passo dá medo.
  • Dificuldade de entrar na brincadeira: a criança chega mudando as regras ou fica só olhando.
  • Frustração nos jogos: perder ou não ser escolhido vira briga.
  • Entender o outro: perceber o que o colega quer e sente ainda é difícil (veja o guia sobre teoria da mente).
  • Interesses diferentes: às vezes a criança só não encontrou ainda quem goste das mesmas coisas.

Como ajudar em casa

  • Ensaie sem pressão: treinem frases como "Posso brincar também?" ou "Quer ver o meu desenho?" com bonecos ou em teatrinhos.
  • Comece pequeno: um amigo de cada vez, em casa ou num lugar conhecido, costuma ser mais fácil do que um grupo grande.
  • Use os interesses dela: uma atividade de que a criança gosta pode ser a ponte para a conversa.
  • Converse depois, com calma: "O que deu certo hoje? O que você pode tentar da próxima vez?"
  • Valorize as tentativas: chegar perto já é um passo, mesmo que a brincadeira não tenha acontecido.

Conflitos fazem parte

Brigas entre amigos são oportunidades de aprender a pedir desculpas, a negociar e a reparar. Em vez de resolver pela criança, ajude-a a pensar: "O que aconteceu? O que você acha que ele sentiu? O que dá para fazer agora?" A pergunta "E se...?" ajuda a imaginar outros caminhos para a próxima vez.

Parceria com a escola

Professores observam a criança em momentos que a família não vê. Converse com a escola sobre como ela se aproxima dos colegas no recreio e o que pode ajudar, como duplas planejadas ou funções em grupo.

Quando procurar ajuda

Se a criança sofre muito com o isolamento, evita sempre outras crianças ou se os conflitos são intensos e frequentes, procure um psicólogo. As ideias deste guia apoiam, mas não substituem uma avaliação.

Como o Clube do Tico pode apoiar essa conversa

Este guia traz orientações gerais para famílias e profissionais. Ele não substitui uma avaliação: se a dificuldade for frequente, intensa ou estiver atrapalhando a rotina da criança, procure um profissional.

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